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riscos_e_rabiscos

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São estas coisas que me cortam o coração.

Sábado foi o dia da festa da escola, como tinha já dito. Correu tudo muito bem, os miúdos portaram-se lindamente e os pais (ao que parece) gostaram muito. Pra nós, que estamos por detrás deste trabalho todo, hoje foi um dia menos cansativo.

 

Já no fim da festa, uma das minhas alunas veio abraçar-se a mim. Nada de extraordinário até porque é costume os meus alunos virem abraçar-te e dar-me beijinhos e retribuir e vice-versa. Mas senti aquele abraço diferente. Perguntei à miúda se ela estava bem. Ela respondeu-me:

 

- Sabes, teacher, para o ano já não vou lá para a escola. - Confidenciou-me a olhar para o chão com um semblate muito triste.

 

Caiu-me tudo ao chão, apertou-se-me o coração e foi com a mesma intensidade deste aperto que enlacei a miúda nos meus braços e lhe dei muitos beijinhos.

 

- Mas isso é mesmo verdade? Tens a certeza? - Perguntei eu com um fiozinho ténue de esperança de que isto não fosse realmente verdade.

 

- Sim, vou para uma escola pública.

 

- Vais? Para aquela perto da nossa escola?

 

- Sim, essa. Sabes, é que a minha mãe não pode sustentar o pagamento desta escola. - E foi aqui que tive todas as certezas. Que compreendi o dilema e a tristeza da miúda, que compreendi o problema dos pais em aguentar uma despesa enorme da escola dos dois filhos - dela e do irmão que também lá está - e o provável desagrado dem os tirar de lá. Afinal este tinha sido o primeiro de frequência da minha escola. Depreendo que se o país não estivesse como está, o futuro dos miúdos seria bem diferente.

 

Voltei a abraçá-la e a dar-lhe mais beijinhos e disse-lhe o quanto gostava dela. Pedi-lhe para ela não ficar triste e, em jeito de consolo, disse-lhe que ela depois ia visitar-nos à escola como tantos outros colegas, que já de lá saíram, fazem. Não queria que a miúda se sentisse desanimada.

 

À noite houve arraial na escola e eu fui dar uma ajuda. Depois de todos comerem, beberem e dançarem, chegou a hora da despedida. Estava eu à conversa com duas colegas minhas quando outra me veio dizer que tinha uma aluna que queria falar comigo.

 

Era novamente a tal aluna. Vinha despedir-se de mim pela última vez. Novamente cabisbaixa, voz sumida. Voltei a abracá-la e a dar-lhe muitos beijinhos e nem a parede que nos separava se fez sentir. Disse-lhe que gostava muito dela mesmo que Às vezes me tivesse zangado com ela e que seria para sempre sua amiga. Dei-lhe o último beijo e abraço apertado. virámos costas uma à outra, eu com lágrimas a correr pela face e aposto que a miúda também.

 

E são estas coisas que me cortam o coração...

Alive... But Not Kicking...

 

Observem bem esta foto...

 

Não. não sou eu. Eu sou ainda mais bela e mais jeitosa... cof!cof!cof! Ando cá com uma tosse, nem sei porquê! :P

 

Ando numa roda viva: avaliações, correcções de testes, preparações de festas de final de ano e correspondentes acessórios made by me.

Agora já podem mesmo confirmar que estou deveras louca por me ter enfiado numa empreitada destas. Mas vocês já me conhecem um pouco e sabem que eu gosto de me meter nestas coisas. Depois venho para aqui queixar-me ( se não querem ouvir, tapem os ouvidos mas pelo menos leiam as minhas queixas... por solidariedade, vá...) do meu cansaço e do trabalho.

 

Os miúdos finalistas andam todos com lençóis atrás para limpar as lágrimas do desgosto de se irem embora. Nós também temos muita pena mas a vida é mesmo assim, tem de continuar.

Para tentar animar aquela malta, fui requisitar alguns elementos para me ajudarem. e foram mesmo uma ajuda preciosa.

 

Para a festa do convento, que é já amanhã e é a última, as turmas vão cantar umas canções. Como se não bastasse o ensaio da canção, a invenção e treino da coreografia, ainda tive de inventar e fazer os acessórios. 

Só  para terem uma ideia: desenhar e recortar 24 volantes (sim!), 50 chaleiras e 24 barretes!

 

Resultado: as três últimas semanas têm sido uma insanidade completa com timings alucinantes. Por isso, se me virem numa qualquer paragem de autocarro ou até mesmo no dito cujo a ressonar e a babar-me, por favor acordem-me! Se acharem que não devem... ao menos limpem-me a baba e fechem-me a boca.

Ajudar não custa!

 

 

Cornos?!

 

As crianças andam todas excitadíssimas devido aos preparativos para o Natal. É a realização de enfeites para decorar a escola, são os ensaios para a apresentação da festa de Natal da escola e a troca de prendas entre si.

 

Ia eu para mais um ensaio com a minha turma do 2º ano quando, assim que entro na sala, o M. que é um miúdo vivaço e espevitado me pergunta:

 

- Ó teacher, trouxeste os cornos?

 

Eu olho para a minha colega I. e a minha colega olha para mim e implodimos a rir (sim, não explodimos porque não nos descaimos, rimo-nos para nós próprias.

 

- O M. os veados não têm cornos... têm hastes... - digo eu a morder os lábios para não me desmanchar a rir.

 

- M. quem tem cornos são as vacas e os bois - diz a I. igualmente a escangalhar-se de riso.

 

 

Tenho andado atarefadíssima com os preparativos da festa de Natal do colégio. É que como se não bastasse andar feita barata tonta a ensaiar as cinco turmas, ainda andei a ver testes até às duas da manhã e a fazer avaliações até à uma hora atrás.

Para cúmulo, esqueceram-se de me fotocopiar os relatórios de avaliação para o segundo ano, as tais "folhinhas das cruzes".

Amanhã tenho reunião bem cedo, que é para abrir a pestana e começar bem o dia, e o que vai acontecer é que vou passar o tempo todo a dizer as minhas avaliações e a "crucificar alunos"!!!

 

Professora sofre!

 

 

No Dia em Que a Rainha Fez anos

 

Digo já de chofre que a rainha sou eu! Claro. E este post é sobre a minha pessoa, vulgarmente conhecida por Pessoinha.

 

Como todos sabem - pelo menos têm obrigação disso - fiz aninhos a semana passada. Foi a meio da semana, Pessoinha a dar no duro e amor ausente. Remediou-se a coisa fazendo um lanche para os mais íntimos no fim de semana.

Portanto, faz hoje uma semana que fiz a festa de anos a que tinha direito.

 

Gosto sempre de fazer as minhas iguarias, por isso, meti mãos à obra na cozinha (entenda-se mãos nas tigelas, colheres de pau e formas) e começei a construir obras de arte gastronómicas.

Fiz um bolo de maçã e canela, duas quiches e experimentei uma inovação.

Pela primeira vez na vida, fiz pão de queijo e só vos digo uma coisa... fiquei tão orgulhosa deles!!!

Ando até um pouco mais insuflada devido ao orgulho que sinto por ter feito tais delícias. Saborosos, delicados e atraentes.

 

Recebi muitas prendinhas (dois livros, iupiiii!) e tive as minhas duas miudinhas aqui comigo. Foi uma brincadeira pegada com a L. e a B. Parecíamos três crianças. Ou se calhar até éramos...

A noite terminou em amena cavaqueira com as minhas amigas, e são estes momentos que me sabem tão bem e me fazem tanta falta.

 

E impressionante como o tempo voa... Parece que ainda ontem fiz anos, no entanto já passou uma semana. estou a ficar velha...

 

 

 

And Now?

 

Hoje foi a festa de encerramento do ano lectivo no meu colégio. Apesar da caloraça que se fez sentir, os miúdos estavam o máximo e as coisas correram muito bem.

 

Comigo levei o N. e a minha priminha B., só faltou mesmo o Pimentinha e o bóbi para alegrar a festa.

 

Esta altura pra mim é terrível, costuma provocar-me uma angústia atroz. É o terminar de uma fase, o encerramento de mais um ciclo. e com isto volta a instabilidade, o não saber com o que posso contar, o que me espera no dia de amanhã.

 

O mais angustiante ainda foi ontem, na despedida, as crianças perguntarem-me se eu ficava lá para o ano e eu não saber responder.

Hoje foi a vez dos pais. Muitos a pedirem-me para ficar. Mas a decisão não é minha, é do director.

Sei que fiz um bom trabalho, que os miúdos ficaram bem preparados, que gostam de mim e agora vamos ver o que vai acontecer.

 

Não tinha mais nada para me partir a cabeça, por isso vou ficar a roer as unhas de ansiedade até à próxima semana que é quando o director tem disponibilidade para falarmos sobre o "próximo ano lectivo". 

 

É curioso que, ao contrário dos outros anos, e apesar de eu adorar estes putos, não fiquei com a sensação do "deus" de nunca mais os ver. Não chorei na despedida como me acontece sempre. Foi uma espécie de até logo. será o prenúncio de algo? Quererá o meu sexto sentido dizer-me alguma coisa?

O Baptizado

 

Domingo foi dia de baptizado. Confesso que a minha paciência para este tipo de cerimónias anda cada vez mais reduzido. Mas… noblesse l’oblige. Principalmente quando é alguém de família chegada.

 

Fui de ressaca da rinite alérgica para o baptizado (lembram-se que no sábado estava muito mal?), equipada com todos os medicamentos possíveis para me defender contra novo ataque e com o meu nariz todo em “obras”, graças ao assoanço e aos lenços de papel.

 

Não estava com pachorra nenhuma para grandes preparativos: não me pintei como me apetecia, os pés continuam com as bolhas (ihihihi), e faltou-me um acessório para pendurar ao pescoço, o vulgo colar.

 

A R. – a minha priminha – portou-se bem e tirou fotografias lindas pois é muito fotogénica. Andava linda e toda vaidosa no seu vestido de princesa. Mas uma das partes melhores foi aquela em que ela se virou pra mim e me disse:

 

“a mãe tem as mamas à mostra”

Parti-me a rir, claro. A mãe tinha um vestido com um decote nada ousado mas ela saiu-se com esta com o ar mais sério do mundo.

 

Depois foi a vez da minha priminha B., que é mais mando que eu sei lá o quê! Efeito do mimo… lol!

Estávamos na missa e ele tinha que se distrair com alguma coisa. Deu-lhe as fomes e atacou um pacotinho de bolachas, andou a correr de um lado para o outro a cuscar tudo, e andou nas cantorias religiosas.

Ela apanhava tudo ali na hora e depois virava-se para a minha mãe, com ar autoritário, e dizia: “canta!”

O pai também virou-se pra ela a cantar e ela disse-lhe logo “cala-te, tu não sabes cantar…!” Isto lido pode parecer-vos que é má educação, mas não é. É a maneira dela de falar que uma pessoa se farta de rir porque ainda por cima é sopinha de massa.

 

A comida foi muito boa. Foi para compensar a comida do casamento dos pais que foi um catering do pior que pode haver ao cimo da terra. Ah, mas este catering só foi superado pela “excelente” comida do casamento do meu primo M. com a Enjoadinha. Memorável. Um marco histórico na família!

 

Ainda consegui estar um bocadinho com a minha afilhada que mora duas ruas acima do restaurante. Lá veio ela e as suas “vergonhas” quando é uma chalupinha endiabrada. Levou 300 mil beijos e toda a gente disse que ela era linda, pois tem uns olhos grandes com pestanas grandes, reviradas e tem uma boca muito bonita. Todos diziam que ela era linda.

 

O dia foi terminado com a bênção da chuva. Talvez para arrefecer o calor que se fazia sentir e refrescar as mentes. Ou então já era um prenúncio do balde de água que a selecção iria levar…

 

P.s. – Aguardem o próximo post sobre o baptizado do meu afilhado… lol!

O Perfume

 

 

Porque é que não me disseram nada? Porque é que só soube agora, por puro acaso? Quem é o culpado de a informação não ter chegado até mim?

 

Hoje é a Festa do Perfume em Évora e ninguém me disse nada! Estou muito triste! Se me tivessem dito, eu apanhava o expresso e lá ia eu a caminho. Levava os meus testes e ia vendo pelo caminho…

 

Eu que sou uma moçoila que gosta tanto de perfumes e tudo! Até costumo dizer que uma das melhores prendas que me podem oferecer é um perfume (fica já a dica para prenda de Natal… vá, vão lá trocar as caixas de chocolate por perfumes!). Então e o meu narizinho que tem um olfacto apuradíssimo? Não acham que ele ia adorar?

 

Diziam os organizadores que os homens preferem perfumes suaves e as mulheres perfumes florais. Eu cá gosto de todos. Só não sou muito apreciadora daqueles muito adocicados. Mas estes perfumes são da perfumaria francesa, por isso, todos servem.

Imagino a difícil escolha de quem lá foi. Eu estava tramada se lá fosse. Se calhar foi bom eu não ter sabido de nada…

 

O cheiro para mim é muito importante e gosto sempre de colocar uma borrifadela de perfume antes de sair de casa. Basta uma borrifadela no pulso que depois é distribuída pelo outro pulso, pescoço e roupa. Assim não é exagerado, parece o nosso cheiro natural. Jamais ponham perfume directamente na roupa pois pode manchar. Já experimentaram colocar perfume atrás,  na dobra do joelho?

 

Hoje há Festa no Alentejo!

Este post é dedicado à minha amiga S., ao primo J. e ao primo N., companheiros de diversão numa terra onde impera o calor e cuja única animação é a tradicional festa anual que se realiza – caso o padre não lhe mude a data – a 15 de Agosto.
 
A festa é igual a todas as outras de tantas terras: touradas (com fartura), quermesses, bailes e procissões.
Mas para nós era um motivo de reencontro, de diversão e até para alguns, de rédea solta.
 
O calor, em Agosto no Alentejo, arde na pele. Ou nos levantamos muito cedo e podemos andar na rua até às 10.30-11 horas, o que é pouco provável em época de festa, ou então só podemos sair ao fim da tarde.
 
Mas nós íamos sempre tomar o nosso café à taberna com menos mau aspecto da terra e a que nós chamamos de café. Claro que quando as meninas de Lisboa lá entravam, éramos observadas de alto a baixo e as línguas mais ferinas faziam comentários toscos.
Acontece que nem sempre ficávamos ali pela terra. Mesmo com um sol abrasador a esturricar os miolos, lá íamos nós de carro a outra terra qualquer tomar café. Nem que fosse para mudar de “calor”.
 
À noite encontrávamo-nos sempre. Geralmente íamos buscar-nos uns aos outros ou então encontrávamo-nos no recinto da festa à hora marcada. Íamos todos aperaltados não só para impressionar alguém que estivesse “debaixo de olho” mas também porque as cuscas da terra reparavam nas nossas fatiotas.
Depois, passávamos a noite inteira para cima e para baixo: entre uma garrafa de água e outra, ora íamos ao parque – onde o pessoal ia fumar um cigarrinho às escondidas ou onde se marcavam encontros furtivos com namorados – ora íamos até ao recinto de baile.
O primo N. era o par preferido das miúdas. Era o puto mais giro do baile e não dava vazão às fãs.
 
As histórias passadas nesta terra são imensas. Eu costumava ir dormir a casa da M. que costumava marcar encontros nocturnos com os namorados no quarto dela. Nunca mais me esqueço de um que se passou no Natal. À hora do encontro marcado, ela precisou de ir ao wc e foi mesmo nessa altura que o namorado resolveu bater à janela (sim, eles entravam pela janela!). Eu congelei. Ele continuava a bater insistentemente à janela e eu estava cheia de medo que alguém acordasse. Fui a correr chamá-la e quando regressávamos ao quarto, tropeçámos na árvore de Natal que caiu fazendo um grande estardalhaço. Glup! Não sei como é que ninguém acordou…
 
Houve ainda a história do homem sem uma perna. Esta foi passada no parque que fica numa ponta da aldeia. E a partir daqui é escuridão. Houve alguém que teimava que estava a ver um homem sem uma perna a caminhar normalmente a vir na sua direcção. Mas só ela é que o via, mais ninguém. Para ajudar à festa, começámos a ouvir um javali. Se o coração já estava apertado com a visão do “homem sem perna”, com o javali a rondar-nos a coisa começou a ficar mais assustadora. Acabámos por ir para casa cheios de medo.
 
Passaram alguns anos e o pessoal começou a ter namorado ou namorada a sério. O pior é que os parceiros não eram par para nós. Não gostavam de alinhar nas brincadeiras, mostravam sempre má cara para tudo e nunca tinham vontade de nada. E isto acabou por estragar a nossa diversão em terras do Alentejo.
 
A última vez que me lembro de estarmos no Alentejo juntos, já todos estavam comprometidos. A S. o J. e o N. são primos e ficavam todos na mesma casa – casa esta que tinha um poste da luz à porta sempre cheio de morcegos esvoaçantes! Argh! -, só eu é que era intrusa.
Nessa última noite, estávamos tão divertidos que resolvemos ficar mais um pouco no quintal deles a beber “Juquim Danieli” (Jack Daniels). Claro que a namorada do J. e o namorado da S., que nunca alinhavam em nada, foram para a cama. Lembraste S.? Bons velhos tempos.
 
Agora já nada é igual. Já não vamos à festa e raramente vamos ao Alentejo. Uns casaram, outros divorciaram-se, outros foram pais e outros estão à espera de serem pedidos em casamento. As vidas modificaram-se, as pessoas modificaram-se e as circunstâncias da vida também.
Mas pelo menos fica a memória de momentos tão felizes vividos em conjunto.
A S. será sempre uma irmã para mim, continuo a gostar muito do N. e do J. que eu considerava o meu melhor amigo. Afastou-se por um mal-entendido da parte dele e nunca resolvido. As pessoas mudam mesmo…